18.10.16

Vagando até o fim do mundo




Nada faz sentido. Nada me dá prazer. Não há perspectivas. O futuro parece algo simplesmente dolorido. Algo que vai se auto preenchendo com a passagem do tempo. Só o tempo me leva até o futuro. E o tempo é dolorido. Não há dor maior que a dor do tempo que não passa, do final que não vem. Não preciso pensar em mais nada de ruim para preencher o meu futuro. O que já existe de ruim em minha vida preenche qualquer vazio. E eu cheguei até aqui porque o tempo passou, a argamassa dolorida do tempo preencheu as lacunas que eu deixei em branco e a vida seguiu seu rumo do mesmo jeito. Eu não consegui realizar nada do que eu planejei em minha vida. Aliás, eu não planejei muito, eu apenas vivi conforme a vida ia me levando. 

Eu vejo tanta dor no mundo inteiro. Tanto sofrimento, tanto desperdício. Eu só queria morrer, de modo rápido, sem aviso. O único sentimento que sobrou aqui dentro é tristeza. É nela que me apego para continuar existindo. Não há mais nada. Só vazio, tristeza e solidão. 

Faz 2 semanas e meia que comecei o tratamento com Anafranil, um antidepressivo. A única energia que esse tratamento produziu até agora foi me dar energia para me afundar em mais tristeza. Estou me encolhendo a cada dia que passa, esperançoso de desaparecer do mundo por completo. 

Graças ao medicamento, não me sinto mais ansioso como antes. Mas isso parece só dar mais lugar para a tristeza ocupar. E ela ocupa todos os espaços possíveis. Não há esperança. Não há remédio. Não há cura. Não há desejo. Não há vontade de agir. Sinto vontade apenas de permanecer assim como estou, depressivo, sozinho, isolado. 

Queria me isolar mais, muito mais. Queria me afastar do mundo inteiro. Queria viajar para um outro lugar, distante de tudo, onde eu pudesse morrer em paz. Onde só existisse meu túmulo, no alto de uma colina onde ninguém costuma ir. Onde eu finalmente me misturasse com o canto dos pássaros, com o orvalho nas folhas, com o vento que passa. 

Não acredito em deus, nem em vida eterna, nem em inferno. Acho que somos apenas matéria orgânica que morre um pouco mais a cada dia. Acho lamentável não termos o direito de escolher quando iremos morrer. Essa escolha ainda é minha? Posso tirar minha vida, como minha irmã fez. Garota corajosa minha irmã. Preferiu partir de uma vez, ao invés de ficar morrendo todo dia a conta gota como eu. 

O problema é quem ficou pra trás. Não posso dar esse desgosto para os meus pais? Não posso atestar a derrota deles em criar os filhos? E minhas filhas, que não desistem de mim, mesmo eu estando em pedaços? Como essa decisão vai afetar a vida delas?

Eu quero vagar pela Terra, sozinho. Eu só quero estar sozinho. Quero desaparecer das mentes de todas as pessoas que me conheceram de alguma forma. Quero um mundo que exista originalmente sem mim. Quero não fazer parte. Quero nunca existir. 

No alto dessa montanha solitária, aqui jaz alguém que nunca quis existir. 

10.10.16

Versão permitida

Deixa pra lá a minha versão. Vou falar da versão permitida. É sempre assim no fim das contas mesmo. A versão permitida: É que eu sou o fodão. O super homem. O uau. Nossa, eu sou o cara. Foi disso que eu fui acusado. De fingir uma boa auto estima, porque eu sou inseguro e eu lanço mão de alguns recursos tentando driblar a insegurança. Como intelectualizar as coisas em textos que minha obsessão não deixa ser mais soltos, para tentar explicar bem explicadinho. Algo assim. 

Sabe o que?  Deixa essa versão aí. 

Fui













19.8.16

Novos medicamentos? Diário neles!



Medicamentos novos. Diário dos dias 18 e 19 de agosto (ao longo do dia, eu volto aqui no arquivo e completo as informações). Agora é 01:30 da manhã, do dia 20 de agosto de 2016.  

Não houve alteração no estabilizador de humor, segue sendo quetiapina, 50 mg.
Diante de uma situação, um fato da vida muito difícil que eu estou vivenciando indiretamente e não posso comentar aqui, pedi arrego temporário para um ansiolítico. E voltei para o antidepressivo, mas troquei de antidepressivo, vai levar aí umas 3 semanas pra fazer algum efeito, se fizer algum efeito. De antidepressivo, eu tomava bupropiona, que parei por uns 3/4 meses e agora, desde o dia 18,  é venlafaxina. 

18/08 – iniciei com Ansitec e Venlafaxina. Conforme orientado, tomei o Ansitec após me alimentar, por volta de 14:00 horas. Senti diminuição da ansiedade em cerca de 20 minutos. Tomei a Venlafaxina às 18:00 horas, também após comer. Senti um pouco de enjoo e um pouco de dor de cabeça. Também me senti um pouco irritado. Me parece, hoje, que isso é uma reação típica de quem estava bem deprimido e tomou um baque dos remédios novos. (situação de risco para suicídio. Quando em 2014 eu fiquei muito, muito deprimido mesmo, eu idealizava me matar o tempo todo, até reiniciar um tratamento porque o anterior, que eu fiz entre 2008 e 2013, infelizmente, vinha esvaziando devagar, devagar, até que eu mesmo desisti dele, no final de 2013, somando a isso o fato que eu vivia uma relação amorosa absurdamente doentia naquela época. Voltando pro presente. O enjoo persistiu até por volta de 22 horas. Tomei a Quetiapina às 00:00. Fui dormir por volta de 01:00. Acordei por volta de 07:00. Minha disposição para o sono piorou ainda mais. Não sei o que causou isso. Talvez o antidepressivo, talvez o ansiolítico. Mas não acordei cansado. 

19/08 – 07:30 - tomei um café da manhã reforçado, antes de ingerir o Ansitec, que ingeri às 08:00. Senti que ele diminuiu de fato a ansiedade. Fiz meu primeiro trabalho difícil depois do incidente. Após duas semanas da mais profunda inércia, me arrastando pra fazer o que não tinha como deixar pra depois, hoje fui muito objetivo. Aquilo que usualmente leva-se todo o prazo de 15 dias para resumir. Me especializei em achar o ponto central dos pontos de vista. Estou plenamente capaz, não perdi meu intelecto ou referências do que eu sei. Isso nunca aconteceu, independente do meu humor. O mundo está cheio de imbecis preconceituosos que, com ou sem remédio, com ou sem dinheiro, com ou sem sucesso, são limitados intelectualmente. No início da noite: Merda, tive um pensamento suicida. Olhei pela janela e vi os cabos dos fios de alta tensão. Pensei, porra, eu olho praquela mesma paisagem há cinco anos e só hoje, que eu me lembre, me dei conta do quanto seria fácil me suicidar. Só jogar meus atuais 103,5 kg nos cabos e deixar a gravidade brigar com a eletricidade. Eu já tinha percebido que estou me sentindo deprimido. Mas achei que seria sem ideação suicida dessa vez. Eu sofro porque eu quero? Isso não cola pra mim. Não senti enjoo com os antidepressivos. Definitivamente eu fumei como um fumante viciado em nicotina e não como um compulsivo descontrolado. Mas no fim do dia, ainda não saí com o Tyson. Ele está triste, aqui não tem o movimento que tinha lá na rua, quero dizer, tem até mais, mas de onde o espaço dele foi confinado ele não vê. Mas eu juro, ele olha pra mim com uma cara que me entende totalmente. Quando eu quebrei a perna em 2014, ele vinha me cheirar, só no local fraturado e conforme as fraturas iam consolidando, ele cheirava menos e menos a minha perna, quando eu chegava de muletas do meu trabalho. Good times, Tyson, eles vão voltar. Hoje dei cinco socos no ar, depois de 4 semanas. Não há nada como levar “de boas” essa fase de nova interação medicamentosa. É fundamental não ter como psiquiatra um mero amansa doido, custe aos outros interessados em se promover com a maluquice alheia o que custar. O paciente tem que entender a demora na produção de certos efeitos de medicamentos novos, que ele está tentando ou pela primeira vez, ou como uma nova combinação de medicamentos, porque a antiga, foi começando a parar de funcionar e isso acontece. Aceitar as trocas medicamentosas após a fase de testes é fundamental. Mas entendida essa demora, estipulado um prazo, estipulado uma prorrogação desse prazo, ele tem que cobrar que seu psiquiatra o ajude a buscar outro tratamento. Não aceite se tornar um conveniente vegetal, um enfeite do tipo “o louco está tratado”, jamais. As pessoas não querem, para si mesmas, o equilíbrio. Elas querem virar robôs. Pra ser equilibrado, tem que se ser muito verdadeiro.

Você bipolar, ou com qualquer outro transtorno que seja, não vire um vegetal. Trate-se adequadamente. É a sua vida, talvez a única que você terá.


 Fui.