19.8.16

Novos medicamentos? Diário neles!



Medicamentos novos. Diário dos dias 18 e 19 de agosto (ao longo do dia, eu volto aqui no arquivo e completo as informações). Agora é 01:30 da manhã, do dia 20 de agosto de 2016.  

Não houve alteração no estabilizador de humor, segue sendo quetiapina, 50 mg.
Diante de uma situação, um fato da vida muito difícil que eu estou vivenciando indiretamente e não posso comentar aqui, pedi arrego temporário para um ansiolítico. E voltei para o antidepressivo, mas troquei de antidepressivo, vai levar aí umas 3 semanas pra fazer algum efeito, se fizer algum efeito. De antidepressivo, eu tomava bupropiona, que parei por uns 3/4 meses e agora, desde o dia 18,  é venlafaxina. 

18/08 – iniciei com Ansitec e Venlafaxina. Conforme orientado, tomei o Ansitec após me alimentar, por volta de 14:00 horas. Senti diminuição da ansiedade em cerca de 20 minutos. Tomei a Venlafaxina às 18:00 horas, também após comer. Senti um pouco de enjoo e um pouco de dor de cabeça. Também me senti um pouco irritado. Me parece, hoje, que isso é uma reação típica de quem estava bem deprimido e tomou um baque dos remédios novos. (situação de risco para suicídio. Quando em 2014 eu fiquei muito, muito deprimido mesmo, eu idealizava me matar o tempo todo, até reiniciar um tratamento porque o anterior, que eu fiz entre 2008 e 2013, infelizmente, vinha esvaziando devagar, devagar, até que eu mesmo desisti dele, no final de 2013, somando a isso o fato que eu vivia uma relação amorosa absurdamente doentia naquela época. Voltando pro presente. O enjoo persistiu até por volta de 22 horas. Tomei a Quetiapina às 00:00. Fui dormir por volta de 01:00. Acordei por volta de 07:00. Minha disposição para o sono piorou ainda mais. Não sei o que causou isso. Talvez o antidepressivo, talvez o ansiolítico. Mas não acordei cansado. 

19/08 – 07:30 - tomei um café da manhã reforçado, antes de ingerir o Ansitec, que ingeri às 08:00. Senti que ele diminuiu de fato a ansiedade. Fiz meu primeiro trabalho difícil depois do incidente. Após duas semanas da mais profunda inércia, me arrastando pra fazer o que não tinha como deixar pra depois, hoje fui muito objetivo. Aquilo que usualmente leva-se todo o prazo de 15 dias para resumir. Me especializei em achar o ponto central dos pontos de vista. Estou plenamente capaz, não perdi meu intelecto ou referências do que eu sei. Isso nunca aconteceu, independente do meu humor. O mundo está cheio de imbecis preconceituosos que, com ou sem remédio, com ou sem dinheiro, com ou sem sucesso, são limitados intelectualmente. No início da noite: Merda, tive um pensamento suicida. Olhei pela janela e vi os cabos dos fios de alta tensão. Pensei, porra, eu olho praquela mesma paisagem há cinco anos e só hoje, que eu me lembre, me dei conta do quanto seria fácil me suicidar. Só jogar meus atuais 103,5 kg nos cabos e deixar a gravidade brigar com a eletricidade. Eu já tinha percebido que estou me sentindo deprimido. Mas achei que seria sem ideação suicida dessa vez. Eu sofro porque eu quero? Isso não cola pra mim. Não senti enjoo com os antidepressivos. Definitivamente eu fumei como um fumante viciado em nicotina e não como um compulsivo descontrolado. Mas no fim do dia, ainda não saí com o Tyson. Ele está triste, aqui não tem o movimento que tinha lá na rua, quero dizer, tem até mais, mas de onde o espaço dele foi confinado ele não vê. Mas eu juro, ele olha pra mim com uma cara que me entende totalmente. Quando eu quebrei a perna em 2014, ele vinha me cheirar, só no local fraturado e conforme as fraturas iam consolidando, ele cheirava menos e menos a minha perna, quando eu chegava de muletas do meu trabalho. Good times, Tyson, eles vão voltar. Hoje dei cinco socos no ar, depois de 4 semanas. Não há nada como levar “de boas” essa fase de nova interação medicamentosa. É fundamental não ter como psiquiatra um mero amansa doido, custe aos outros interessados em se promover com a maluquice alheia o que custar. O paciente tem que entender a demora na produção de certos efeitos de medicamentos novos, que ele está tentando ou pela primeira vez, ou como uma nova combinação de medicamentos, porque a antiga, foi começando a parar de funcionar e isso acontece. Aceitar as trocas medicamentosas após a fase de testes é fundamental. Mas entendida essa demora, estipulado um prazo, estipulado uma prorrogação desse prazo, ele tem que cobrar que seu psiquiatra o ajude a buscar outro tratamento. Não aceite se tornar um conveniente vegetal, um enfeite do tipo “o louco está tratado”, jamais. As pessoas não querem, para si mesmas, o equilíbrio. Elas querem virar robôs. Pra ser equilibrado, tem que se ser muito verdadeiro.

Você bipolar, ou com qualquer outro transtorno que seja, não vire um vegetal. Trate-se adequadamente. É a sua vida, talvez a única que você terá.


 Fui.










10.8.16

Lição de boxe - 2

Minha dívida com o Boxe é uma dívida impagável. Não foi em outro lugar nesse mundo que eu aprendi a entender o que o medo faz com a gente, em qualquer situação onde ele surja. E demorou. Demorou 30 anos, desde que eu comecei a praticar artes marciais. Eu cheguei lá aos 40 anos de idade, em 2012, nos treinos que antecediam a luta, por quem me ensinou  a dominar meu medo de lutar aos poucos, o meu instrutor desde 2006, o Negão. Para me preparar para essa segunda luta (lutei a primeira vez em 2009), o Negão me fez treinar sem fazer sparring, ou seja, aquela parte do treino onde se usa um parceiro e se luta pra valer, não ia ter na minha preparação específica para a luta. O Negão sabia que havia um resíduo de medo em mim que ele só tiraria, não deixando eu me comparar a ninguém antes daquela luta, senão a mim mesmo. Ele sabia que meu objetivo não era vencer, era dominar meu medo de me defender. Me treinou mesmo assim, todos os dias, durante quase 3 meses. Eu só deveria pensar em tudo o que o cara que eu ia enfrentar poderia fazer e então, pensar em como sair disso e praticar exaustivamente. Eu confesso, não entendi na época porque o Negão não me deixava fazer sparring. Mas ele sabia. Eu ainda tinha medo e ele sabia disso melhor que ninguém. 

O medo não deixa a gente sentir tudo o que precisa sentir nessa vida, em todo e qualquer momento dela, seja de prazer ou de enfrentamento, especialmente do acúmulo de enfrentamentos. Só imagine as exigências do enfrentamento dos seus medos num ringue de boxe, onde em 1 segundo tem quem dispare 6 socos potentes, isso na categoria lenta dos pesados. Não dá tempo. Ali ou você reage ou você apanha mais. Ou você está suficientemente livre dos seus medos, ou eles vão colocar uns quilos extras de peso em seus braços, em suas pernas, em todo seu corpo, em toda sua movimentação, o medo deixa a gente em câmera lenta, basicamente. O oponente enxergar isso e a disposição dele em se livrar do próprio medo, se ele tiver, vai aumentar muito ao ver o outro lutador com medo. O medo é sentido e sempre usado como uma vantagem por nossos adversários. 

Eu sabia, na minha segunda luta, que eu ainda tinha medo de apanhar. Aquela sensação nojenta que me impediu de reagir quando eu tive, entre 10 e 16 anos de idade, minha cota de bullying. Tudo é o que escolhemos fazer. Eu escolhi aprender a dominar meu medo e descobri que ninguém nunca vai dominar o medo por completo. Mas que na tentativa de dominar, ao invés da alternativa, que é fugir, surge um estado de consciência mais avançado dos medos que a gente tem. É um processo lento, a conquista da coragem. Mas se é esse o foco, todos os outros valores irão passar por esse processo de conquista da coragem. A verdade, por exemplo. Ser totalmente verdadeiro está ligado a ser totalmente corajoso. 

Um dos sintomas mais presentes em pessoas com algum desarranjo na estrutura mental é travar de medo. Um cérebro afetado por uma crise não consegue elaborar pensamentos adequados para enfrentar situações difíceis. Como alguém, que sofreu uma perda muito grande, sente-se temporariamente incapaz de seguir com a vida, assim ocorre com quem sofre de algum distúrbio. Sem estabilização, o distúrbio se perpetua. E todo distúrbio é caótico. Toda luta que enfrentamos é caótica, toda luta é algo fora do nosso controle. Nenhum lutador vence uma luta movido por sentimentos de mais descontrole, como o ódio. Isso é mito. Bons lutadores tem que manter o autocontrole ou irão perecer em combate. 

Fui. 




4.8.16

Aviso de tempestade


Tá foda. E isso me diz que é uma fase boa pra vir aqui escrever a respeito. Até porque, não tá tão foda a ponto de eu querer tirar minha vida nem nada, mas é aquela maldita fase de luto de novo. Rupturas, malditas que nunca vem sozinhas. Da agora penúltima ex, eu quebrei a perna feio na sequência da ruptura e dessa vez, bem, além da ruptura com a namorada teve a ruptura com o sócio.

Deu muito ruim com a namorada. Ela foi injusta comigo. Não vou falar o que ela fez aqui, ela não merece isso. Não sei se ela tem o endereço desse blog, provavelmente tem, ela sempre gostou de me investigar nas sombras. Mas pqp. Na boa, vou virar monge. Não agora. Agora eu fumo uma carteira e meia de cigarros por dia. Fico dois dias sem querer tomar banho. Não quero arrumar a casa. Sair pra treinar com o meu cão Tyson. Comer. Me exercitar. Eu estou no 4º dos piores primeiros dias desse processo de luto, que começou muito, muito mal e claro, não veio sozinho, porque meu sócio também resolveu sair do escritório e me deixar na mão bem nessa fase. Estou deprimido novamente. Qual a novidade? Adivinha o medicamento que eu deixei de lado recentemente? A porra do antidepressivo. É o que é. Entrou e saiu ano escrevendo aqui e eu tenho de admitir, que sem sombra de dúvida, quem tem algo de traço incurável, tem que se manter estável, através das difíceis tentativas medicamentosas, tem que manter um tratamento, para si e para os outros, ou situações estressantes da vida, como as rupturas que a gente sofre, os tombos que leva, irão consumir até o último fiapo de vontade de viver ou então, migrar para o lado maníaco da moeda e criar a pior fogueira da menor fagulha incendiária do planeta, pelo menos é o que parece para mim, na minha cabeça, mas eu sou o louco, porque quem não toma banho há dois dias sou eu.

Postergar é uma bosta nessa fase depressiva. Como em toda fase eu postergo, na fase depressiva eu aumento a postergação. Mas eu me culpo mais ainda e a culpa acaba sendo o maior problema, não para os outros, mas para mim. Também estou há uma década tentando resolver isso. Nossa, ficou estranho, falar em postergar e dizer que está há uma década tentando resolver a questão, realmente. Pelo menos eu reconheço em mim um medo de morrer ultimamente. Medo de morrer é bom, ajuda a frear o impulso que pode acontecer numa depressão piorada, que pode levar a um suicídio. Eu já estive lá na beira em 2014 e só quebrei a perna no mesmo ano, mas não perdi a vida. Minha irmã perdeu em 2010. É como se a imagem da pessoa fosse sendo apagada, porque é mesmo apagada. 

Não é minha hora ainda, eu achei o que fazer no meio esportivo que me completa muito e tá tudo certo na vida de advogado de pobre. Sou odiado pelos riquinhos de provincialândia onde moro. Segundo minha filha, agora com 13 anos, é uma ideação minha isso, eu não sou odiado, todo mundo vê o pai que eu sou para elas. Meu problema com os riquinhos daqui começou com a denúncia contra em esquema de fraude na saúde daqui, em 2006. Hoje um ex prefeito responde a processo criminal por isso. Os riquinhos e seus puxa sacos não gostam de mim, porque eu não gosto deles. E os pobres que não são seus escravos ainda me contratam. Agora o que eu venho fazendo no meio do boxe brasileiro, as oportunidades que eu ando tendo são a força que eu venho obtendo no momento, para lidar com essa fase pra baixo, meio com raiva, o que tanto louco quanto gente normal sente quando passa por situações de ruptura. 

Mas eu jamais estou desatento sobre como me sinto. Pena que isso não me ajuda a me sentir de outra forma, não ajuda também o que eu não estou fazendo. Estou plenamente ciente disso. Eu não estou comendo direito, não estou me exercitando, não estou em abstinência do cigarro que é o que eu preciso fazer, se eu tenho esse medo de morrer por agora de bobeira e porque não consigo suportar determinados estresses. Eu não consigo me ver sem cigarro, socorro, indústria do cigarro.Ano que vem faço 45, o risco de câncer é maior, eu sei que vou ter que parar, tá difícil pensar em como eu vou fazer isso numa fase depressiva, pronto, na minha cabeça bipolar só tem um jeito: fumar uma carteira de cigarros, às vezes uma e meia, todo dia, desde 20 de julho. Ano que vem faço 45. Não é brincadeira isso. Essa patifaria minha com cigarro já foi longe demais. Normalmente eu fumava 2 ou 3 cigarros a noite. Agora eu zoei geral. Dentro da minha sala, no meu escritório, inclusive. Pobre não tem dessas frescuras, eu penso, mas tem sim e eu devia pensar diferente a esse respeito também, por essa razão.Vou tentar. Não agora. Agora eu preciso do que eu preciso agora pra ficar mais ou menos inteiro. Eis o que estou fazendo:

1- Baixei um aplicativo chamado mood tool pra celular que é legal, mas é em inglês. Dá pra relatar o humor e avaliar isso periodicamente. Mas já larguei ele também, porque comecei a escrever aqui, outra coisa que funciona para mim.

2- Criei uma lista de prioridades. Dividi em casa/ trabalho/ mudança (vou mudar também, rompi o contrato com a imobiliária. Aqueles idiotas queriam porque queriam receber um valor arredondado pelo aluguel, ao invés do valor atualizado pelo indice correto)/, ex namorada, boxe, dinheiro. Tipo isso. Em cada item tem descrito tudo que se relaciona, tudo que eu tenho que fazer sobre cada um deles. Já sei que não vou conseguir colocar em prática isso tudo um tempo, mas não importa, eu consegui criar essa lista de prioridades que vai ajudar se o barco afundar mais. 

3- Comecei a escrever aqui, ontem, hoje estou editando para continuar. Ontem parei porque senti fome e eu não queria parar de sentir de novo e começar tudo outra vez, sem comida, um monte de cigarros, inércia total. Depois de ontem eu fiz o que segue.

4- Consegui contratar uma empresa de mudança. Tem isso também. Vou me mudar. Como meu sócio abandonou a parceria, fico com um casarão no centro da cidade que tem tudo melhor até que na minha casa de pobre. Já marquei pra segunda. Já era, vai rolar.

Isso tudo não é apenas um começo da minha "nova vida". É um começo certo. Não tenho ninguém olhando por mim aqui onde eu moro. Não tenho amigos. Me afastei do meu grupo de churrasco, porque não havia amizade ali de verdade. Isso já faz tempo, eu descobri que não adianta insistir com pessoas que não querem ver o nosso bem e que só se alegram com nossas tragédias ou com as críticas e joguinhos que nos fazem engolir. No mundo do boxe, as pessoas que me consideram e que me tratam como eu mereço estão longe. Então, não posso dar mancada com meu tratamento, ainda mais num momento como esse que estou passando, onde tudo é confuso, onde o medo faz querer voltar atrás em certas decisões que vão fazer sofrer por um tempo, mas que provavelmente vieram para melhor.

Eu só queria acabar por completo com essa inércia que parece orgânica. Não parece algo voluntário de minha parte isso.

Sei lá. Deixa pra depois.

Fui.